Ao início, era o Verbo (sempre quis começar um Post com esta expressão, repararam na virgula que dá aquele ênfase à frase, “Ao início STOP era o Verbo”)
Voltando ao nosso Post.
Ao início admito que tinha a sua piada, aquela confusão, aquele poder jogar pelos dois lados – oh não, não não não não, não estou a falar de homossexualidade – mas sinceramente perdeu o seu quê de giro, porque as pessoas são assim, fartam-se das coisas antes delas terem ainda terminado, e eu sou uma pessoa.
“Desculpe, é professor ou aluno?” ao que eu respondo educadamente “Sou professor estagiário.” E a senhora responde embaraçada “Desculpe, é que tem cara de menino” e novamente com um sorriso digo “pois”, quando na realidade o que eu queria dizer era “Desculpe eu ter tirado um curso no ensino superior”, “Desculpe eu ter andando 5 anos a estudar a sério”, “Desculpe eu ter feito electromagnetismo à primeira”, “Desculpe se não envelheci tanto quanto a senhora desejaria”. Não, não estou chateado de maneira nenhuma com esta senhora, a menos que ela volte a cair no erro de me perguntar, “Olhe desculpe, é professor ou aluno?”.
Enquanto professores a sério se debatem com questões reais e grandes; Avaliação de professores, estatuto da carreira docente, direcção de turma, conselhos pedagógicos e transição para o novo regime de administração e autonomia das escolas. Eu, Jorge Ribeiro, debato-me com a problemática serei eu Professor ou Aluno?
Devem estar vocês caros leitores e amigos de longa data a pensar “Epá ó Jorge és tão picuinhas. Vê lá se não te podem confundir, vê lá se as senhoras continuas te ofendem assim tanto ”. E ai vou ter de voltar ao início, porque ao início era o Verbo tinha piada, mas depois de 6 meses a Continua Porteira já tinha obrigação de me conhecer, a Continua do Bar igualmente, isto já para não falar do Gordo da porta que pergunta sempre, “Onde é que vais? Não és desta escola”.
Como podem constatar já tive confrontos sociais hilariantes neste meu estágio. Infelizmente não é apenas disto que é feita a vida. Deixo-vos então com aquele que é sem dúvida o meu ‘confronto’ favorito:
Senhora continua - Onde é que tu vais? (note-se que este começa com um Onde é que arrogante, seguido de um Tu vais de arrependimento. Entretanto a senhora apercebeu-se que talvez eu não fosse aluno).
Eu – Para a sala dos professores.
Senhora continua – Ai desculpe, pensava que era aluno.
Eu – Não faz mal (sorrisinho nos lábios).
Senhora continua – Blá blá blá (e é neste momento que entram os clichés, “é bom parecer mais novo”,” imagine quando tiver 40 anos”, etc. e eu tenho para mim que o cliché é como o Comunismo, entranha-se dentro de um individuo e não o deixa pensar noutra coisa, de maneiras que prefiro nem ouvir).
